quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Livro de escritor goiano explica letras de músicas da banda Legião Urbana



Marcos Carvalho Lopes, 31 anos, era professor de filosofia em escolas estaduais de sua cidade natal, Jataí (GO), quando decidiu, no começo dos anos 2000, se utilizar de letras de canções da Legião Urbana para despertar em seus alunos interesse pela disciplina. Fã da banda desde meados da década anterior, o jovem não era do tipo que ia a shows, mas se impressionava com as ideias que embasavam os escritos de Renato Russo. Os estudos informais foram ganhando consistência e Marcos decidiu colocá-los no papel. Entre 2001 e 2007, dedicou-se a escrever Canção, estética e política — Ensaios legionários, que chega agora às lojas, pelo Mercado de Letras.

Um dos primeiros estalos de que a obra da Legião poderia manter um diálogo com questões filosóficas veio com a canção Se fiquei esperando meu amor passar, do álbum As quatro estações (1989). “Ela mistura a descrição de uma relação afetiva idealizada com um canto do catecismo católico. Para mim, como adolescente, essa junção satisfazia certa busca platônica que nessa fase da vida se torna muito chamativa. Como diria Nietzsche, o cristianismo seria um platonismo para massas”, detalha Marcos. Já no início da letra de Sereníssima, (“Sou um animal sentimental/ Me apego facilmente ao que desperta meu desejo”), o estudioso percebeu uma alusão ao filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau, que descreveu o homem desta forma.

O autor Marcos Carvalho Lopes destaca alguns trechos de seu livro "Canção, estética e política - Ensaios legionários".

"Invertendo paradigmas sociais – feito comum nas canções da Legião onde existem narrativas, em Eduardo e Mõnica é ela quem “comanda” a relação: é mais velha, faz medicina, fala alemão, tem um gosto literário e musical refinado (gosta da poesia de Manoel Bandeira e do francês Arthur Rimbaud, das canções de Bauhaus, Mutantes e Caetano Veloso, da pintura de Van Gogh...) é mística, é punk (usa tinta no cabelo) e liberal. Eduardo aparece como um rapaz caseiro, de classe média burguesa, muito ligado aos valores familiares. Dessa combinação inusitada, surge uma relação amorosa, que cultivada (fizeram juntos natação, artesanato, teatro e viagens), fez com que conseguissem certo equilíbrio. Juntos (brigando, trabalhando, comemorando, etc.) construíram uma casa, uma família e todos dizem que são diferentes, mas se completam. Mesmo “com tudo diferente” inventaram uma saída poética por meio do amor." (p.64)

Começa o faroeste. Mas, o que diz “faroeste”? Esse nome nos trás a memória um gênero cinematográfico que, diferentemente de outros que se definem pelo sentimento que causariam no espectador (drama, suspense, terror etc.), representa uma região geográfica numa época específica: o “Oeste Selvagem” (Wild West ) dos Estados Unidos na segunda metade do século XIX, no período que vai da Guerra Civil ao fim da expansão dos rebanhos e da exploração de minérios, por volta de 1880. A chamada “marcha para o Oeste” (que deu origem ao nome far west ), teve como objetivo a busca por terras e ouro, o sonho de que nas regiões selvagens estariam as oportunidades de futuro e liberdade. No entanto, a rápida ocupação territorial gerou uma sociedade onde, sem a presença do Estado, valia a lei do mais forte.[...] Na história de João do Santo Cristo a “marcha para o Oeste” é a migração da personagem de uma região pobre do nordeste brasileiro em busca de um lugar onde tivesse oportunidades. Brasília surge como a “visão do paraíso”, uma terra prometida em sua dimensão utópica estrutural. (p.78-79)

[...] ao abandonar o mundo em favor de um ideal, ao procurar um ponto fixo a partir do qual tudo poderia ser explicado, o discurso da Legião Urbana caiu na metafísica como descrita por Jorge Luis Borges: uma espécie de literatura fantástica que nos causa admiração e assombro, mas que é constantemente desmentida pela realidade. O sentimento exaltado em As Quatro Estações é um ideal, o discurso desse álbum é de idealismo-romântico. A tediosa obsessão romântica com a morte e a sublimação ganham contornos políticos de transformação social: num momento em que o país se preparava para eleger democraticamente um presidente, depois de mais de 25 anos, o discurso da Legião Urbana captou e refletiu bem a esperança utópica de que a democracia poderia trazer consigo uma melhoria nas condições de vida da população. O confronto com a realidade facilmente “derreteria as asas de cera” desse idealismo romântico pós-moderno: infelizmente, isso era inevitável, não só para esse grupo de rock, mas para o país inteiro. (p.117)

É difícil daí não deduzir um paralelismo entre a vida pessoal e a vida da nação em o descobrimento do brasil. Os vícios de anos de Ditadura estariam vindo à tona com toda a força e o país precisaria se reinventar para sair do ciclo destrutivo de euforia e depressão, ou seja, deveríamos abandonar as esperanças de transformações épicas na política e assumir cada qual sua responsabilidade na difícil transformação dessa realidade. O seu discurso tentava também assimilar as lições da Era Collor. Nesse sentido, o descobrimento do brasil funcionaria como “uma reconstrução”, buscando falar “da valorização da família sem ser careta”, denunciando a indiferença e exaltando a responsabilidade de cada um como cidadão. (p.136)

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2012/07/15/interna_diversao_arte,311879/livro-de-escritor-goiano-explica-letras-de-musicas-da-banda-legiao-urbana.shtml

Comentário: Renato Russo foi não só um dos maiores músicos das últimas décadas aqui no Brasil, como um dos maiores poetas. Viveu de perto a ditadura passando a adolescência e juventude em Brasília e assim soube retratar de maneira magistral a realidade da época, sendo assim, um livro explicando todas as influências de suas composições não explica só a obra da Legião Urbana, mas sim o que nós víamos, vivíamos e chamávamos de país a 30 anos atrás.
Giovanna Arruda

Nova rota turística alemã segue passos dos irmãos Grimm




Era uma vez um homem que vivia com sua mulher e três filhas. Ele era feliz, mas temia que suas filhas, já adolescentes, não acreditassem mais em contos de fadas.

Ele então perguntou às garotas se acreditavam nos contos e, após respostas negativas das duas filhas mais velhas, ouviu da mais nova a seguinte resposta: "Pai, tenho medo de me tornar tão cínica quanto minhas irmãs. Ouvi falar de um reino distante onde os contos de fadas realmente existem. Leve-nos lá!".

Não havia uma carruagem de abóbora disponível, então embarcaram em um trem em direção à cidade de Colônia, na Alemanha, onde alugaram um carro e seguiram pela rota dos contos de fadas.

A rota vai de Hanau, próximo a Frankfurt, local de nascimento de Wilhelm e Jacob Grimm, até Bremen, no norte do país, e neste ano celebra uma data especial: dezembro marca os 200 anos da publicação da primeira edição dos contos dos irmãos.

Ao longo de mais de 600 km, o itinerário passa por vilarejos e cidades que tiveram um papel importante na vida dos Grimm e inclui florestas, castelos e torres que supostamente foram cenário dos contos de fadas mais conhecidos.

A chave para entender a rota é distinguir entre o factual (onde os irmãos estudaram, viveram e morreram) e o ficcional (onde Bela Adormecida e Branca de Neve viveram).

Na pequena cidade de Steinau é possível visitar a casa para onde Jacob e Wilhelm se mudaram quando eram jovens, hoje um museu que explica o papel dos Grimm na história e na literatura alemãs. Em Kassel, onde passaram a maior parte de suas vidas, um museu abriga uma cópia dos contos de fadas escrita à mão pelos irmãos. Mas esses locais são mais interessantes para estudantes do que para jovens turistas e é então que a ficção começa.

A casa de Branca de Neve, por exemplo, está situada na vila de Bergfreiheit, nas colinas próximas à cidade de Bad Wildungen. Ao entrar em um dos quartos, o visitante se depara com sete pequenas camas. Fora isso, a única ligação com Branca de Neve é uma placa no andar de cima, que conta a história de Margaretha von Waldeck, uma bela moça que foi obrigada pela madrasta a mudar-se de Bergfreiheit e que morreu em 1554 aos 21 anos, aparentemente envenenada.


Já a casa de Rapunzel é adornada por uma longa trança de cabelos louros, que pende da janela de uma torre do hotel Trendelburg, um verdadeiro castelo de conto de fadas, com armaduras, torres e um guia vestido como um cavaleiro medieval.

Há ainda o castelo de Sababurg, também um hotel, conhecido por ter sido a casa de Bela Adormecida.

Mas foi a cidade de Hamelin o lugar que realmente provocou a imaginação das meninas. Um passeio pelas ruas de pedra, com suas casas de madeira, criou um clima de fantasia, mas foi uma atração do museu que capturou a atmosfera do conto do flautista de Hamelin.

Sentados em sacos de milho, os visitantes assistem a figuras criadas com velhas chaves, raladores de queijo e foices encenarem a história, que acaba com a fuga de dúzias de camisolas da cidade.

Ao longo da rota, é possível perceber que a verdadeira atração não são os cenários imaginários dos contos de fadas, mas a própria paisagem alemã: as belas cidades e vilas encravadas em colinas, as ruas de pedra, os rios Fulda e Weser, o lago Edersee e, acima de tudo, as florestas.

Parece que por todo o caminho não se passa por nada além de árvores. Elas estão ali mesmo quando o visitante alcança os limites de cidades grandes como Hannover. Em 2011, as florestas de faia da Alemanha ganharam o título de patrimônio da humanidade pela Unesco.

Ao fim da jornada, o homem perguntou à filha mais nova se agora ela acreditava em contos de fadas e ela respondeu: "Confesso que ainda não estou convencida, mas amei os bolos e as salsichas da Alemanha".

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/turismo/1178336-nova-rota-turistica-alema-segue-passos-dos-irmaos-grimm.shtml

Comentário: As histórias dos irmãos Grimm nos remetem automaticamente a nossa infância, aos filmes da disney que tanto assistimos e amamos, ter a chance de conhecer a região onde elas surgiram e ver que algumas dessas histórias podem até ter algumas bases em histórias reais é como se fossemos transportados aos conto de fadas, como se pudéssemos vivê-los nós mesmos.
Giovanna Arruda 

FEIRA DO LIVRO EM POA

Em 10 dias, a Feira do Livro de Porto Alegre já comercializou 225.008 obras. O balanço foi divulgado nesta terça-feira pela Câmara Rio-Grandense do Livro, que contabilizou as vendas até o último domingo (04).
Em 10 dias de Feira do Livro, mais de 225 mil exemplares já foram vendidos Félix Zucco/Agencia RBS
A Área Geral reuniu o maior volume de vendas, com 172.120 livros. Já na Área Infantil, o número de exemplares soma 42.472, enquanto na Internacional foram comercializados 10.120 obras.

Na edição de 2011, as vendas chegaram a 459.588 livros, um aumento de 12% em relação à 2010. A Feira do Livro acontece até o próximo domingo (11), na Praça da Alfândega.

Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/segundo-caderno/noticia/2012/11/em-10-dias-de-feira-do-livro-mais-de-225-mil-exemplares-ja-foram-vendidos-3942104.html

Comentário:

Isso mostra que cada vez mais os brasileiros estão se interessando pela leitura, com grande números de livros infantis vendidos, incentivando a leitura na infância, que ajuda na formação cultural das crianças, também incentivando os próprios pais a lerem. Uma forma de tirar as crianças do vício nos meios digitais apenas, essa é a melhor maneira de substituir os tablets, celulares e videogames de forma educativa .

Michael Taguchi.

Mostra no Rio revê ambições intelectuais de Mário de Andrade e seus interlocutores


Poeta e romancista, catalisador da vanguarda paulista, o autor de Macunaíma, que viveu (de 1893 a 1945) para pensar e escrever, está exposto em palavras e imagens em Cartas do Modernismo, exposição que será aberta no próximo dia 13 no Centro Cultural Correios, no Rio.
'Tendências más' ressaltadas por Lasar Segall - Reprodução

A curadora, Denise Mattar, propôs a mostra para este espaço por conta do assunto afim - com isso, o nonagenário da Semana de Arte Moderna, que passou praticamente em branco na cidade neste 2012, ganha a sua reflexão carioca.
O foco está nas artes plásticas, mais especificamente na onda levantada em 1922, e há destaque também para indiscrições, disputas e picuinhas cultivadas entre os artistas (as brigas com Oswald de Andrade, relatos de bebedeiras, a necessidade de trabalhar para a sobrevivência, enquanto outros de seu grupo tinham dinheiro de família).
Os destinatários são interlocutores próximos: Tarsila, Anita Malfatti, Candido Portinari, Enrico Bianco, Cícero Dias, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Victor Brecheret e Henriqueta Lisboa. Todos já tiveram diálogos com Mário publicados antes.
Mas a exposição traz novidades: por exemplo, a exibição de cartas que falam sobre determinadas obras dos artistas ao lado dos quadros em questão. Como a inspirada comparação dos retratos dele feitos por Portinari e Lasar Segall (abaixo), enviada ao amigo radicado no Rio.
"A relação era de muito afeto, Mário como um irmão mais velho (dez anos). Ele se orgulhava de ter sido a primeira pessoa a descobrir o talento do meu pai", conta João Candido Portinari, que deve lançar em 2013, nos 110 anos de nascimento de Portinari, um volume com as cartas trocadas pelos dois (já existe um somente com as de Mário).
O Violinista, quadro que fez Mário olhar para o jovem Portinari no Salão Revolucionário de 1931 (aquele que abrigou pela primeira vez, artistas de perfil modernista), estará na mostra. E mais dois retratos de Mário, o de Segall e um de Enrico Bianco, aluno de Portinari e seu colaborador. O visitante vai ver ainda obras de Anita, Di, Cícero e Ismael Nery, entre outros.
Raridades nunca exibidas são as cartas ilustradas a guache, nanquim e lápis, de remetentes como Cícero, Di, Brecheret e Menotti del Picchia. Os desenhos podiam estar no centro do papel, com textos em volta, ou à parte, como o cartão de Natal em linóleo mandado em 1940 por Quirino Campofiorito. Mário, vez ou outra, também desenhava: com humor, retratou-se caindo do bonde num relato a Anita.
Entre as muitas cartas de e para Drummond e Bandeira, interessou à curadoria aquelas em que ele fala de aspectos nacionalistas da pintura que desejava ver. Elas estarão próximas de Di - para Mário, o mais brasileiro dos artistas. Está nessas escolhas o caráter pedagógico da exposição. "A correspondência do Mário é interessantíssima, e agora estará ao alcance de um público maior. O volume do Bandeira, por exemplo, é um tijolo de 740 páginas", diz Denise Mattar.
O material veio do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, que guarda e analisa o acervo de Mário (bibliografia, manuscritos, cartas, obras de arte), e também do Projeto Portinari e de coleções particulares.
A maioria das cartas será apresentada em versão fac-símile, por sua fragilidade; uma parte foi transcrita, para facilitar a compreensão (a caligrafia nem sempre é clara); outra, será ouvida na interpretação de um ator, tamanha sua carga emocional - um exemplo é a declaração de adoração profunda por Tarsila. a qual via como uma deusa do equilíbrio, "inimiga dos excessos"

Comentário:

Com essa exposição o público poderá relacionar as obras dos artitas com suas inspirações, isso pode dar um novo entendimento para obra, além de incentivar a imaginação das pessoas, com certeza essa exposição vai ser importante para a literatura e cultura da sociedade.

Michael Taguchi.

domingo, 4 de novembro de 2012

Tradutor Paulo Bezerra é premiado na Rússia



Paulo Bezerra, responsável por traduções para o português de obras clássicas russas, foi condecorado com a medalha Puchkin, dada pelo governo da Rússia a personalidades que ajudam a difundir a cultura do país pelo mundo.

A entrega do prêmio, marcada para 4 de novembro, não contará com a presença do brasileiro, que deve receber a homenagem em Brasília.

No próximo dia 5, o tradutor participa da abertura do Encontros de Literatura Russa, promovido pelo Centro Universitário Maria Antonia e pela editora 34, que publicou alguns de seus principais trabalhos, como "Crime e Castigo" e "Os Irmãos Karamazov", de Dostoievski.

Boris Schnaiderman, responsável pela tradução de Tolstói, Tchekhov, Púchkin, Górki, Maiakóvski, Bábel e outros, também já recebeu a medalha.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1179480-tradutor-paulo-bezerra-e-premiado-na-russia.shtml

Comentário:
Raramente vemos o nome do tradutor do livro que estamos lendo, mas ele é responsável por grande parte do trabalho de nos fazer entender aquele história, de adaptar ela a nossa língua, por isso é importante darmos valor a eles e é interessante ver que um tradutor responsável pelas versões em português de obras como as de Dostoievski sendo reconhecido lá fora.
Giovanna Arruda

sábado, 3 de novembro de 2012

Hugo Cabret traz mistério sobre boneco mecânico



"A Invenção de Hugo Cabret" prendeu a atenção de uma turma do 5º ano da escola Prof. Nelson Neves de Souza, de Mogi Mirim.

Yasmim Procópio, 10, conta que o livro tem "suspense, invenções e muito mais". Nayara Tomé, 10, resume a história assim: "Um garoto órfão se esconde em uma estação de trem em Paris, no ano de 1930. Ele se chama Hugo Cabret e quer desvendar o mistério que seu pai deixou antes de morrer".

Esse tal mistério tem a ver com um autômato, tipo de boneco mecânico, diz Beatriz Biazotto, 10.

"Por quem foi construído? Você só irá saber se ler", instiga Beatriz, sem querer revelar as partes mais emocionantes do livro. Ela lembra ainda que a obra tem ilustrações em preto e branco.

Já o filme baseado nessa aventura, lançado neste ano, é colorido e tão legal quanto a obra no papel.

"A Invenção de Hugo Cabret"
AUTOR Brian Selznick
EDITORA SM
PREÇO R$ 45

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/1178565-hugo-cabret-traz-misterio-sobre-boneco-mecanico.shtm

Comentário: É muito importante escolas e pais incentivarem crianças a entrarem no mundo dos livros pois incentiva a imaginação e a criatividade além de construírem uma boa bagagem cultural para a geração que será o futuro de nosso país. Confesso, do alto dos meus 18 anos me vi apaixonada pela história de Hugo Cabret, um órfão que vive escondido na central de trem de Paris dos anos 1930, tomando conta dos gigantescos relógios do lugar e apaixonado pelo funcionamento das máquinas. Qualquer criança amará entrar nesse mundo mágico de fantasia dos livros, então não perca a chance de incentivar a leitura.
Giovanna Arruda

Receita de ano novo


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade