quinta-feira, 9 de maio de 2013

Consórcio de Eike Batista vence licitação e vai administrar Maracanã

Maracanã depois da reforma para a Copa do Mundo 2014

O Consórcio Maracanã, liderado pela empreiteira Odebrecht, e que conta com a IMX, do empresário Eike Batista, e a AEG, vai administrar o estádio que vai abrigar a final da Copa 2014 pelos próximos 35 anos. A documentação apresentada pelo grupo foi aprovada na manhã desta quinta-feira (9), e o resultado da licitação do Maracanã, que havia conferido ao consórcio integrado pela Odebrecht e Eike a maior pontuação, foi confirmado.
O grupo tinha obtido o primeiro lugar, com 98,26 pontos, deixando para trás o consórcio Complexo Esportivo e Cultural do Rio de Janeiro, composto pela Construtora OAS, a Stadion Amsterdam e a Lagardère Unlimited , que obteve 94,4624 pontos, que não contestou a decisão.
​Por enquanto, no entanto, os camarotes do estádio não foram incluídos na concessão. Uma liminar da Justiça concedida às empresas Golden Goal Excel 3000 impediu que esse setor do estádio entrasse na licitação. As empresas, que exploravam esses espaços antes da reforma, alegaram que não há garantias de que poderão continuar explorando os camarotes após a concessão.
A Odebrecht é majoritária dentro do consórcio, com 90% de participação. A IMX, braço de esportes do grupo EBX, tem 5% de participação, com os 5% restantes sendo da americana AEG, que gerencia diversas arenas ao redor do mundo.
O consórcio de Eike Batista tinha apresentado a proposta de maior valor financeiro para obter a concessão do estádio. Foram oferecidos R$ 181,5 milhões, em 33 parcelas de R$ 5,5 milhões anuais.
O empresário Eike Batista
Já grupo rival na disputa propôs o pagamento de R$ 155,1 milhões, divididos em 33 parcelas de R$ 4,7 milhões por ano. O edital prevê que o consórcio vencedor terá que pagar, pelo menos, R$ 4,5 milhões por ano pela concessão do estádio que vai sediar a final da Copa do Mundo 2014.
O valor financeiro teve peso de 40% da proposta, enquanto a parte técnica representou 60%. O concessionário do Maracanã terá que investir ainda pouco mais de R$ 594 milhões em adequações no complexo esportivo, que incluem a derrubada do estádio de atletismo Célio de Barros e do parque aquático Julio Delamare, e a posterior construção desses equipamentos em um local próximo.
O governo do Rio estima que o consórcio vencedor poderá ter retorno do investimento em até 12 anos. A projeção é que o concessionário possa ter receitas anuais de R$ 154 milhões, diante de despesas que podem beirar os R$ 50 milhões.
Fonte: Terra
Comentário: Por ter sido a maior proposta financeira para ter a concessão do estádio, o milionário Eike Batista saiu na frente e garantiu a licitação para administrar o estádio do Maracanã. Sua fortuna aumenta dia após dia e mostra porque o empresário é tão famoso não só aqui no Brasil, mas no mundo.

Por Thaís Raposo dos Santos.


quarta-feira, 8 de maio de 2013

O segredo de Joe Gould

Foto: Filme O segredo de Joe Gould

Joseph Mitchell e O segredo de Joe Gould

Uma das principais características de Joseph Mitchell é a fluência encontrada em seus textos. Perfeccionista e muito cuidadoso com as palavras, o autor é capaz de dar leveza ao que escreve e proporcionar horas seguidas de leitura de suas obras, sem que isso seja uma tarefa cansativa. O Segredo de Joe Gould é um exemplo típico dessa valiosa característica de Mitchell.

A personalidade muito instigante do protagonista é tão responsável pelo sucesso, quanto as habilidades literárias de Mitchell. O perfil irreverente, por vezes cínico e sarcástico, do boêmio de Nova York consegue despertar o interesse do leitor, que se sente mais próximo de Joe Gould a cada página virada. Essa intimidade entre leitor e personagem é fruto do exímio trabalho de apuração do jornalista, que conviveu vários anos com Gould até concluir os dois artigos que compõem o livro.

“O Professor Gaivota”, escrito em 1942, e “O Segredo de Joe Gould”, de 1964, são os dois perfis do boêmio, escritos por Mitchell que juntos dão unidade à obra. Apesar de que a princípio o segundo possa parecer uma reiteração aprofundada do primeiro, aos poucos é possível entender a intenção do autor de juntar os dois artigos em um único volume. Ao término da leitura, depois da revelação do segredo, não resta mais hesitações acerca de como a união dos textos é imprescindível à coesão e à compreensão plena do livro.

Outro êxito da compilação são as pertinentes digressões do autor que revelam partes de sua própria vida e fatos interessantes do processo de elaboração da obra. Alguns trechos metalinguísticos interrompem momentaneamente a descrição das aventuras de Gould e colaboram tanto para a que o texto não se torne cansativo, como para aumentar o interesse do leitor pelo protagonista. Em certos momentos da narrativa, Mitchell parece ser capaz de transferir ao texto suas aflições, sentimentos e reações em relação ao boêmio de vida desregrada.

Joe Gould


Joe Gould

Na maior parte do livro, Joseph Mitchell se dedica a narrar e descrever a biografia, as idiossincrasias e as irreverências de Joseph Ferdinand Gould, que indubitavelmente representam o ponto alto da obra. Descendente de tradicionais famílias americanas, Joe desiste de se dedicar a um ofício depois que se graduou em Harvard e prefere ser um boêmio de Nova York, que usa roupas poídas, raramente tem mais de um dólar no bolso, vive às custas de favores de amigos e fuma guimbas de cigarro apanhadas no chão das ruas.

No decorrer do texto, o personagem se mostra carente e revela imensa necessidade de chamar atenção. Para isso, não se cansa de enumerar suas qualidades, das quais a que mais gosta de exaltar é a capacidade de entender as gaivotas, já que segundo ele, passou bastante tempo as observando. Nas festas que freqüenta, quase sempre sem ser convidado, Gould não perde a oportunidade de expressar os grunhidos e movimentos típicos que aprendeu na companhia das tais aves.

Apesar de todas as essas excentricidades, o maior atrativo de Joe Gould é o livro que ele escreve desde o princípio de sua boemia, ao qual ele se refere como “A história oral de nosso tempo”. Segundo o protagonista, o livro é o maior já escrito no mundo, compostos de alguns capítulos de ensaios sobre seus devaneios e outros de transcrição de conversas ouvidas por ele, durante suas perambulações nas ruas. Para Gould, o livro representa o seu maior tesouro e o meio pelo qual vai escrever o seu nome na posteridade e ser considerado um grande historiador dos tempos modernos.


Quem procura um bom e divertido livro para começar a ler e ter do lado da cabeceira, o livro O segredo de Joe Gould é super indicado. Uma mistura encantadora e sagaz dos mistérios e superações de Joe e o jeito fantástico de escrever de Mitchell.


Por Thaís Raposo dos Santos.
(Adaptado e comentado) - Fonte: Overmundo

sábado, 4 de maio de 2013

Suspeito de atentado de Boston foi baleado na cabeça e no tronco


Tamerlan Tsarnaev, um dos suspeitos de realizar o duplo atentado contra a Maratona de Boston, no dia 15 de abril nos Estados Unidos, foi morto com tiros na cabeça e no tronco, revela o resultado da autópsia publicado nesta sexta-feira (3).

O jovem de 26 anos, de origem chechena, morreu em um confronto com a polícia quando tentava escapar, no dia 18 de abril, em meio a uma megaoperação para capturar os autores do atentado.
A imprensa americana informou que Tamerlan e seu irmão Dzojhar - internado em um hospital por ferimentos que sofreu durante a captura - planejavam realizar um ataque suicida no dia da Independência dos Estados Unidos, o 4 de Julho, mas decidiram antecipar a ação diante da facilidade de fabricar as bombas.
O atentado em Boston deixou três mortos e mais de 260 feridos, incluindo vários amputados.
Fonte:

Comentário:

O atentado nos EUA mostrou a eficiência da policia americana, com a perseguição aos suspeitos o país inteiro foi afetado e a vida das pessoas paralisadas para segurança da população, o caso foi mostrado no mundo inteiro. A divulgação da perseguição era transmitida em todas as fases em que estava acontecendo, muitas vezes em tempo real, mostrando aproximação do fato com o público.


Michael Taguchi.


Semiótica da cultura



Trechos extraídos da obra de Ana Paula Machado Velho


A Semiótica da Cultura (SC) possui correntes de estudos diversas. Uma delas é de origem russa. Desenvolveu-se a partir de um grupo significativo de pesquisadores e ficou conhecida como a Escola de Tártu-Moscou (ETM).


Os pesquisadores da ETM entendem a cultura como linguagem. Para eles, linguagem é “o elo que une domínios diferentes da vida no planeta”[1]. Por isso, aplicaram-se em compreender toda e qualquer linguagem, todas as formas de expressão, que vão além da esfera social, estão na cultura e abarcam todos os aspectos da vida. São fenômenos que conformam a cultura e, por isso, os russos se puseram a entender como se manifestam, como produzem significado no cotidiano. Perguntavam-se: se as linguagens são sistemas de signos, que regras regem a vida delas e sua ação na cultura? Como se conformam, se constroem?

A proposta da semiótica de extração russa é descrever, no sentido de demarcar, os elementos inerentes às diferentes manifestações da cultura, às quais chamam de textos. Como esses elementos se relacionam nos movimento de formação de sentido? Este é um aspecto prático, técnico, que se tornou ferramenta para a elaboração desta pesquisa, que tem o objetivo de analisar o processo de reconfiguração ou tradução (como será visto mais a frente) de uma manifestação cultural, o jornalismo científico, para o ciberespaço; quer-se propor uma linguagem (signos de diferentes códigos organizados sob regras, sob uma sintaxe) que o potencialize neste novo ambiente.

Irene Machado lembra que quando se fala em semiótica russa, há um enorme referencial de autores que vêm a tona nos anos 60. Esse grupo se desloca da tradição lingüística russa, que tem seus expoentes em Roman Jakobson e Mikhail Bakhtin. Jakobson foi quem se empenhou no “estudo da língua como fenômeno da comunicação”[2] e ficou conhecido como semioticista da lingüística e da poética. Mikhail Bakhtin foi o teórico dos gênero literários, tinha preocupação com a natureza da linguagem, literária ou não. Trouxe à tona conceitos importantes como o conceito de “polifonia” e “dialogismo”, que ficaram célebres como marcas do seu pensamento.

Os semioticistas da Escola de Tartu-Moscou (ETM), porém, sistematizaram uma metodologia que vinha descrever o mundo das representações além da língua. Eles entendiam que as inúmeras formas de expressão fazem parte de um conglomerado sígnico que ia além “da codificação gráfico-visual do alfabeto verbal”[3], a cultura se realiza em sistemas de sígnicos de diferentes naturezas: o gestual, o visual, o sonoro, o arquitetônico.

Para entender esta perspectiva, em primeiro lugar, é preciso entender a definição de cultura. Para a ETM, cultura é memória não-genética, é aquele conjunto de informações que os grupos sociais acumulam e transmitem por meio de diferentes manifestações do processo da vida, como a religião, a arte, o direito (leis), formando um tecido, um “continuum semiótico”[4] sobre o qual se estrutura o mecanismo das relações cotidianas. A cultura é, na visão ETM, inteligência coletiva um sistema de “proibições e prescrições”[5] que molda a dinâmica da vida social, mas leva em consideração não só os aspectos do socius, mas todos os fenômenos que incidem sobre a consciência coletiva. São programas de comportamento que permitem converter acontecimentos em conhecimento. As informações da natureza e dos fenômenos históricos e ambientais vão inferindo consciência no grupo social e se transformam de não-cultura (informação não processada) em cultura (sistemas com organização) passam a fazer parte da memória coletiva: um dado signo ganha um só significado para um dado grupo. “A memória [...] é assegurada, em primeiro lugar, pela presença de alguns textos constantes e, em segundo lugar, pela unidade dos códigos ou por sua invariância ou pelo caráter ininterrupto e regular de sua transformação”[6]. E este processo de conformação cultural é “um gerador magnificamente organizado de linguagens [...] prestam à humanidade um serviço insubstituível” ao organizar os aspectos complexos e ainda não de todo claros do conhecimento humano”[7]. Nas palavras de Irene Machado, “do ponto de vista da semiótica, a cultura é [...] um mecanismo supra-individual de conservação e transmissão de certos comunicados (textos) e elaboração de outros novos”[8]. A cultura “não é um depósito, mas um mecanismo, organizado e complexo, que recebe, traduz, compacta e interpreta a materialidade produtiva que adota a função de signos”[9].

A ETM, na verdade, surgiu de debates que passaram a ser feitos sobre escritos que vinham isoladamente sendo publicados em algumas universidades russas em Moscou, Leningrado (atual São Petesburgo) e Tártu, na República da Estônia. Entre os grandes nomes da Escola estão: Ivanov, Piatigórski, Topórov, Uspiênski e, especialmente, Lótman, que se tornou um expoente e um aglutinador do grupo. Os debates eram feitos em seminários de verão, nos quais as idéias eram apresentadas oralmente, mas onde se forjou um arcabouço científico de alta profundidade, que fizeram surgir varias coletâneas, dentre elas, Trabalhos sobre os Sistemas de Signos (TSS).

É preciso destacar a atuação de Lótman, que agrega em si os mais fortes postulados da ETM, e se firmou como referencial da Escola, coordenando os encontros de verão e as principais publicações de Tártu. Graduado em Letras, teve professores que haviam participado dos movimentos formalistas[10] e estruturalista[11], como e Vladimir Propp, conhecido mundialmente por suas teorias acerca do folclore e das fábulas. A carreira acadêmica de Lótman começa na universidade de Tártu, em 1954, onde se dedica à biografia de autores russos do final do século XVIII. Porém, aos poucos, foi deixando de lado o aspecto histórico dos textos literários e passou a se interessar pela maneira como as idéias filosóficas, os modos de ver o mundo e os valores sociais incidiam sobre a estética da produção cultural do planeta, especialmente da literatura e das artes. Foi atraído pelos reflexos que diferentes fenômenos promoviam sobre os valores cognitivos, éticos e estéticos de cada época e começou a descrever estes movimentos culturais como sistemas.

Pode-se dizer que é Lótman quem consegue descrever com maior clareza a perspectiva da ETM como Escola da Semiótica, resistindo a inúmeros críticos que acusam o grupo de pesquisadores de não construir um arcabouço teórico, único, coeso, mas sim publicar discussões sobre “modelos técnicos emprestados de ciências vizinhas, que formam um corpo metodológico aplicado a qualquer linguagem”[12]. Ninguém discute que os escritos de Tártu são reflexões individuais dos diferentes nomes da escola em relação a diferentes objetos. Peeter Torop, podemos dizer, o herdeiro de Lótman, lembra que um aspecto negativo é um fato de que as coletâneas dos TSS, apresentam um “jargão de Tártu”, uma metalinguagem muito particular, “que pode parecer ao observador um tanto caótico”[13]. Mas o próprio Torop lembra que a primeira publicação da ETM é o um livro altamente ortodoxo de Lótman – Lições sobre Poética Estrutural (1964), sob o ponto de vista acadêmico. Estas observações localizam Lótman entre os principais pensadores da ETM e, talvez, o mais “teórico”; isto é, com uma proposta metodológica mais abrangente no que diz respeito à possibilidade de aplicação de seus conceitos no estudo dos processos semióticos e na leitura destes processos e dos sistemas de signos que emergem da cultura. Lótman não se pronuncia explicitamente, como fazia Bakhtin, em torno da perspectiva ideológica e sobre o valor cultural dos textos, lembram Arán e Barei. A teoria lotmaniana está centrada nos mecanismos de “automodelação cultural” e nos processos de trocas graduais ou explosivas de informação. Na riqueza, variedade e atividade dos subsistemas que povoam o espaço semiótico[14].

1.3 As propostas de Lótman

Os pontos de base das propostas de Lótman, que vão nortear as reflexões desta tese, estão baseados nas referências deixadas pelos primeiros semioticistas russos das primeiras décadas do século XX. Neste momento, a então União Soviética vivia um momento de efervescência, na pós-revolução (1917). Valorizava-se a produção cultural e as práticas inovadoras que fizeram surgir movimentos como o Construtivismo; correntes reflexivas como o Formalismo; a fundamentação da Lingüística, Círculo Lingüístico de Moscou (Jakobson, Victor B. Chklóvski, Boris Eikhenbaum); e o fortalecimento do estudo da poética, no chamado Círculo de Bakhtin. Essas, pode-se dizer são as fontes de Lótman.

Lotman constrói, segundo Irene Machado, uma semiótica sistêmica[15]. A experiência humana se traduz em signos, um imenso sistema de signos: a cultura. Esta organiza o processo da vida em sociedade criando as regras imprescindíveis à tradução de informações, que são armazenadas ou reinterpretadas quando novas demandas surgem num determinado grupo social. Em outras palavras, a cultura é um sistema de armazenamento, processamento e transferência de informação. Para o estoniano, no entanto, há dois tipos de estruturas semióticas. A primeira reúne estruturas relativamente simples que utilizam línguas artificiais com sintaxe e vocabulário estritamente definidos. O papel desta estrutura é transmitir informação altamente organizada, com o mínimo possível de perdas e deformações. O outro tipo de estrutura elabora mensagens novas e imprevisíveis. Ele as compara a “objetos racionais”, como o cérebro humano, e estende este processo ao texto artístico e à cultura. Estes objetos racionais são sistemas complexos de linguagens verbais, sonoras, icônicas, ou mesmo híbridas, multicodificadas, se atualizam exatamente dentro das mesmas regras de qualquer outro sistema, de qualquer natureza, por meio do gerenciamento da informação.

Para explicar como a informação é gerenciada, o russo se apropria do conceito de dialogismo de Bakhtin. Segundo este último, quando dois indivíduos (ou sistemas, no caso desta pesquisa) se encontram trocam experiências por meio de um processo de experimentação do outro: um “enxerga” o outro a partir da própria experiência, da própria noção que se tem de si. O diálogo se dá a partir do que cada um (eu e o outro) tem de diferente e de comum. Sem um referencial próprio de mundo, não há como alguém (ou sistema) se apropriar do que o outro traz de novo. A identidade se conforma, se mostra, se formula, ganha sentido, a partir do olhar sobre o outro e do outro sobre o eu.

Um sentido descobre suas profundidades ao encontrar e ao tangenciar outro sentido, um sentido alheio: entre eles se estabelece um tipo de diálogo que supera o caráter fechado e unilateral desses sentidos, dessas culturas. [...] No encontro dialógico, as duas culturas não se fundem nem se mesclam, cada uma conserva sua unidade e sua totalidade aberta, porém ambas se enriquecem mutuamente[16].

Santaella completa este raciocínio argumentando que o sentido não está armazenado nas consciências individuais, mas na relação, nos interstícios entre o falante e o ouvinte. “Sentido é, portanto, linguagem em movimento, diálogo”[17].

Diante deste cenário, Lotman constrói seu conceito de tradução, que se resume no fato de que, a partir do que surge de informação no outro, um sistema (cultura, língua etc.) reconforma sua estrutura traduzindo em signos que existem à sua disposição dentro da sua realidade, da sua experiência, aquilo que “recebeu”, que absorveu (informação), que leu, no outro, modificando-se, acrescentando em si uma nova experiência, fruto de sua vivência com as informações novas, vindas de fora. Essas novas configurações são absorvidas na memória do sistema (na memória da cultura, língua etc) e ficam à disposição para serem acessadas a todo o momento em que for necessário. Ele chama isso de tradução da tradição e nos remete ao dialogismo de Bakhtin. Os códigos e textos já absorvidos pela cultura, aqueles que já possuem sentido para os grupos sociais, se recompõem para traduzir novos conteúdos, mas estes novos textos só surgem a partir dos antigos, da tradição; a partir daqueles que a cultura reconhece.

[...] cultura é uma acumulação histórica de sistemas semióticos (linguagens). A tradução dos mesmos textos para outros sistemas semióticos, a assimilação dos distintos textos, o deslocamento dos limites entre os textos que pertencem à cultura e os que estão além dos seus limites constituem o mecanismo da apropriação cultural da realidade. A tradução de uma porção determinada da realidade para uma das linguagens da cultura, sua transformação em texto, ou seja, em informação codificada de certa maneira, a introdução de tal informação na memória coletiva: esta é a esfera da atividade cultural cotidiana[18].

Porém, um sistema não se modifica apenas com informações externas, de outra cultura, ou do outro. Suas experiências individuais podem também fazer essa dinâmica funcionar no sentido de que possa dar conta de si mesmo, das demandas de sua própria estrutura. Isso acontece com a cultura que precisa dar conta de inúmeros novos fenômenos, sejam sociais, econômicos, artísticos etc. É um movimento de auto-organização que, segundo Lótman, faz com que a cultura produza novas “regras de representação”. A esses sistemas auto-regulatórios ou de auto-organização, Lótman deu o nome de sistemas modelizantes de segundo grau, que se conformam a partir do sistema primário que é a língua natural, o sistema modelizante de primeiro grau.

Para Lótman, é a partir da língua que se dá a culturalização do mundo, que a natureza e seus fenômenos e fatos se humanizam; que o pensamento se constrói e que a cultura se descreve em textos. “A língua modeliza a realidade. Em cima dela se constroem os sistemas secundários que modelam aspectos parciais dessa realidade”[19].

A língua natural possui um lugar especial na cultura, graças à sua participação em sistemas modelizantes não-verbais.

“A palavra ajuda e comenta cada ato ideológico. O processo de conhecimento de qualquer fenômeno ideológico (quadro, musica, ritual e ação) tem lugar somente com a participação da fala interna. Todas as demais formas de criação, o resto de signos não verbais estão submersos no elemento verbal e não podem separar-se completamente dele[...] a língua (como fala interior ou audível) pode inclusive penetrar em esferas não verbais da cultura e pode chegar a ser indispensável para sua existência. A língua atua como a base dos sistemas modelizantes secundários, mas também faz o papel de metalinguagem universal”[20].


A partir deste raciocínio pode-se entender porque Lótman afirmou que a cultura é um grande texto. Assim como ela se reconhece como língua ela se auto-regula e se auto-descreve (metalinguagem), por exemplo, por meio de leis e do discurso da ciência, também se expressa na dança, no teatro, no design, na moda, no digital. Estes textos, espelhados nas regras da língua natural, a partir da língua e de outras codificações promovem a manifestação de sentido de outros conteúdos da cultura, que são os sistemas modelizantes de segundo grau. Vão se organizando em textos que vão dar sentido à vida interna de um determinado grupo. A cultura escreve-se em diferentes códigos, que serão chamados de códigos culturais, “estruturas de alta complexidade que reconhecem, armazenam e processam informações [...] constituem um vocabulário mínimo da cultura [...] são culturalizações, quer dizer, são formas convencionalizadas que situam o homem no ambiente [...] se dão a entender como som, imagem, movimento, textura, cheiro, paladar”[21].

Lótman vai transferir o conceito de estrutura da língua para o de estruturalidade, aplicando-o às diferentes linguagens da cultura. Os códigos se acomodam em relações diferenciadas, assumindo escritas diferentes, composições diferentes que vão se reconfigurando com os movimentos da cultura. Esses sistemas modelizantes de segundo grau não possuem estrutura como a língua, mas estruturalidade, relações específicas que dão conta das diferentes situações da vida, isto é, traduzem fenômenos em cultura, não-cultura em cultura.

“[...] o ‘trabalho’ fundamental da cultura [...] consiste em organizar estruturalmente o mundo que rodeia o homem. A cultura é um gerador de estruturalidade; cria ao redor do homem uma sociosfera que, como a biosfera, possibilita a vida, não orgânica, obviamente, mas de relação. [...] Para cumprir esta tarefa, a cultura precisa ter em seu interior um dispositivo esteriotipador (ztampujuscee utrijstvo) estrutural, cuja função é desenvolvida justamente pela linguagem natural: e é isso que proporciona aos membros do grupo social o sentido intuitivo da estruturalidade”[22].


Uma poesia, por exemplo, reconstrói o mundo de maneira específica. Contém referências do texto escrito, mas se apresenta de forma específica, propõe conotações, porém, sempre se mirando ou modelizando e estruturada pela língua mãe e pela forma e pelos sentidos que são buscados na memória da cultura. Cada signo ou texto que é depositado na memória da cultura vai formar o “cosmo” sígnico de cada grupo, a que Lótman dá o nome de semiosfera. Para o estoniano, as operações de tradução de experiências em signos que se dão em qualquer cultura só são possíveis porque existe um espaço semiótico que disponibiliza a interação e a produção de sentido. A semiosfera funciona como a biosfera, aquele ambiente com características específicas e elementos disponíveis para serem acessados e dar condições à vida, à cultura. Trata-se da “esfera que possui as características distintivas que se atribui a um espaço fechado em si mesmo. Só dentro de tal espaço se torna possível a realização dos processos comunicativos e a produção de nova informação”[23].

A semiosfera seria, então, um ambiente com elementos (códigos culturais) significantes disponíveis de serem acessados (combinados) e dar condições às representações, sistemas de signos que vão dar suporte à reprodução e manutenção da cultura. “Todo espaço semiótico pode ser tomando como um só mecanismo, senão organismo. Assim, a fundação não será este ou aquele tijolo que a parece, mas o ‘grande sistema’ denominado ‘semiosfera’. A semiosfera é o espaço semiótico fora do qual é impossível a semiose”[24].



Lótman explica, ainda, que os textos se “reproduzem” por contaminações que se dão nas fronteiras “esponjosas”, nos limites das diferentes culturas. Os textos que estão próximos às fronteiras têm estruturaliddade mais frágil dentro da memória dos sistemas. Os novos textos surgem nas chamadas periferias que estão organizadas menos formalmente que os centros, onde estão as estruturas mais fortes, construções mais arraigadas de todas as culturas ou sistemas.

“A função da fronteira [...] se reduz a limitar a penetração do externo no interno, a filtra-lo e elabora-lo adaptativamente. [...] todos os mecanismos de tradução que estão a serviço dos contatos externos pertencem à estrutura da fronteira da semiosfera. A fronteira geral da semiosfera de intersecciona com as fronteiras dos espaços culturais particulares.[...] ela conserva o sentido de um mecanismo buffer que transforma a informação. [...] O espaço semiótico se caracteriza pela presença de estruturas nucleares (com mais freqüência várias) com uma organização manifesta e de um mundo semiótico mais amorfo que tem na periferia, na qual estão submergidas as estruturas nucleares”[25].

Lótman frisa que as contaminações que se dão por meio das fronteiras são encontros dialógicos entre os elementos estruturais das diferentes culturas, dos diferentes textos. Os elementos homogêneos permitem a hibridização e os heterogêneos vão se conformar oferecendo a possibilidade de novos textos com novos significados.

“A possibilidade de diálogo pressupõe tanto a homogeneidade quanto à heterogenidade dos elementos. Deste ponto de vista, a diversidade estrutural da semiosfera constitui a base do seu mecanismo. [...] Por uma parte, os sistemas não são idênticos e emitem textos diferentes, e, por outra, se transformam facilmente um em outro, o que lhes garante uma tradizibilidade mútua. Assim, podemos dizer que, para que seja possível o diálogo, os participantes devem ser diferentes e, cada um, ter em sua estrutura a imagem semiótica da sua contraparte”[26].



[1] MACHADO, Irene. Escola de Semiótica: a experiência de Tártu-Moscou para o estudo da cultura. Cotia: Ateliê Editorial; São Paulo: Fapesp, 2003.  p. 25.
[2] MACHADO, op. cit., p. 13.
[3] Ibid., p. 35.
[4] ARÀN, Pampa O. e BAREI, Sílvia. Texto/Memoria/Cultura: el pensamiento de Iuri Lotman. 2ª ed. Córdoba: El Espejo Edições, 2006. p. 46.
[5] ÀRAN, loc. cit.
[6] LOTMAN, Iuri. La Semiosfera: semiótica de la cultura e del texto. Trad. Desiderio Navarro. Madrid: Ediciones Cátedra, 1996. p. 157.
[7] MACHADO, op. cit,. p. 60.
[8] LOTMAN, loc. cit.
[9] ARÀN, Pampa O. e BAREI, Sílvia. Texto/Memoria/Cultura: el pensamiento de Iuri Lotman. 2ª ed. Córdoba: El Espejo Edições, 2006. p. 118.
[10] Influente escola russa (1910 a 1930); os membros do movimento são considerados os fundadores da crítica literária moderna.
[11] Corrente de pensamento que se inspirou do modelo da lingüística e que apreende a realidade social como um conjunto formal de relações.
[12] SANTAELLA, Lúcia. O que é semiótica?: Ediouro, 1983. (Coleção Primeiros Passos). p. 76.
[13] TOROP, Peeter. A Escola de Tártu como Escola. IN: MACHADO, op. cit., p. 80
[14] ARÀN, Pampa O. e BAREI, Sílvia. Texto/Memoria/Cultura: el pensamiento de Iuri Lotman. 2ª ed. Córdoba: El Espejo Edições, 2006.
[15] MACHADO, Irene. Escola de Semiótica: a experiência de Tártu-Moscou para o estudo da cultura. Cotia: Ateliê Editorial; São Paulo: Fapesp, 2003, p. 156.
[16] BAKHTIN, Mikhail. Estética de la Creación Verbal. Trad. Tatiana Bubnova. México: Siglo 21, 1982. p. 352.
[17] SANTAELLA, Lúcia. Navegar no Ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo: Paulus, 2004, p. 168.
[18] Lotman apud OSIMO, Bruno. Traduzibilidade. Logos Group: Curso de Tradução, Modena. Disponível em: http://www.logos.it/pls/dictionary/linguistic_resources.cap_1_28?lang=bp. Acesso em: 20 out. 2006.
[19] Lotman apud ARÀN, Pampa O. e BAREI, Sílvia. Texto/Memoria/Cultura: el pensamiento de Iuri Lotman. 2ª ed. Córdoba: El Espejo Edições, 2006, p. 18.
[20] ZYLKO, Boguskaw. La Cultura e La Semiótica: notas sobre la concepción de la cultura de Lotman. IN: Entretextos – Revista Electrónica Semestral de Estúdios Semióticos de la Cultura. Granada, nº 5, maio 2005. Disponível em: http://www.ugr.es/~mcaceres/Entretextos/entre5/zylko.htm. Acesso em: 20 out. 2006.
[21] MACHADO, Irene. Escola de Semiótica: a experiência de Tártu-Moscou para o estudo da cultura. Cotia: Ateliê Editorial; São Paulo: Fapesp, 2003, p. 156.
[22] MACHADO, Irene. Escola de Semiótica: a experiência de Tártu-Moscou para o estudo da cultura. Cotia: Ateliê Editorial; São Paulo: Fapesp, 2003, p. 156.
[23] Lotman, Iuri M. La Semiosfera I: semiótica de la cultura y del texto. Trad. Desiderio Navarro. Valência: Frónesis Cátedra, 1996, p. 23.
[24] ZYLKO, Boguskaw. La Cultura e La Semiótica: notas sobre la concepción de la cultura de Lotman. IN: Entretextos – Revista Electrónica Semestral de Estúdios Semióticos de la Cultura. Granada, nº 5, maio 2005. Disponível em: http://www.ugr.es/~mcaceres/Entretextos/entre5/zylko.htm. Acesso em: 20 out. 2006.
[25] Lotman, Iuri M. La Semiosfera I: semiótica de la cultura y del texto. Trad. Desiderio Navarro. Valência: Frónesis Cátedra, 1996, p. 26-29.
[26] Ibid., p. 36-37.


Comentário:

A semiótica da cultura é o estudo de várias formas de linguagem através de símbolos, descrever, no sentido de demarcar, os elementos inerentes às diferentes manifestações da cultura, às quais chamam de textos. Com esse estudo podemos entender vários outros tipos de linguagens que existe em outros sistemas de diferente natureza, expandindo conhecimento na linguagem dos signos.


Michael Taguchi.


quarta-feira, 24 de abril de 2013

O Segredo de Joe Gould: o contador de histórias e um excêntrico andarilho


Quando o jornalista Joseph Mitchell inicia a narrativa sobre um excêntrico miserável de Nova York dos anos 40, o leitor já se depara com um texto que inspira curiosidade. O personagem em questão é um joão-ninguém; um “homenzinho” que anda pelos bares e ruas e não tem nada de celebre ou exemplar para mostrar. E é exatamente isso que instiga também um dos repórteres mais importantes da revista The New Yorker.
Homenzinho é exatamente o primeiro termo que Mitchell usa para designar Joe Gould assim que começa este perfil jornalístico originalmente publicado em 1942. O requinte narrativo pode trazer a desconfiança de que se trata de uma ficção baseada em fatos reais, mas não é o caso. De fato, todos da região de Greenwich Village, Nova York, conheciam esse tal de Joe Gould com suas aparições em bares, tomando um café e comendo muito ketchup das mesas (puro! Não tinha dinheiro). Assim como grupos de poesias, onde o velho baixinho cismava em fazer parte e recitar seus versos que, não saíssem da boca de quem as recitava, não passariam de uma brincadeira de gosto duvidoso.
Além de ser uma presença atípica nas ruas da metrópole, o andarilho beirava o limite entre uma pessoa única e inocente, mas desagradável ao mesmo tempo. Sua excentricidade rendia-lhe convites, assim como podia causar náuseas como quando ele insistia em mostrar saber falar o idioma das gaivotas: o “gaivotês”. Mas seu grande orgulho consistia no maior projeto de sua vida, ao qual chamava Uma história oral do nosso tempo. Nela, o autor relatava sobre pessoas que ia conversando aleatoriamente pela cidade, figuras que, segundo Gould, eram os verdadeiros agentes que moviam a história de um país.
Joseph Mitchell teria todos os motivos para retratar aquele personagem, com quem conviveu por alguns meses entre bares e muitas conversas, de forma jocosa, folclórica e até mesmo pedante ou piedosa. Mas o tratamento honesto rendeu humanização àquele homem, como se, página após página, Mitchell conseguisse ir tirando mais camadas da aparência e palavras de Gould até conseguir expor a alma do personagem.
O livro é dividido em duas partes justamente pelo cuidado que Mitchell tomou ao publicar o que rendeu duas reportagens na New Yorker. O primeiro, intitulado O Professor Gaivota, é mais curto e conta sobre essa figura fascinante que também era capaz de irritar o narrador em algumas conversas que pareciam não ir mais a lugar algum (ou seriam sucessivas fugas de Gould em fugir de um determinado assunto?). O segundo perfil, este o próprio O Segredo de Joe Gould, foi publicado vinte e dois anos após o primeiro, em 1964, quando Gould já havia morrido. Mitchell continuou uma história que julgara impossível de relatar quando seu personagem ainda vivia ,preservando sua dignidade.
O suspense para descobrir o que Joe Gould escondia de todos só não causa tanta aflição porque a narrativa flui e faz com que o leitor se aproxime e crie uma simpatia tanto pelo boêmio nova-iorquino quanto pelas situações vividas por ele. O segredo revelado finda uma busca seguida pelo repórter a passos de detetive e carregada de voltas em torno dessa personalidade tão ímpar.

Fonte: Canto dos Livros

Comentário: O livro O Segredo de Joe Gould é uma referência para qualquer jornalista. O perfil do boêmio foi construído de forma que nos envolvemos e passamos a gostar dessa figura excêntrica. Mitchel nos mostra um outro lado da sociedade, e assim como Joe Gould pretendia, mostra também que figuras desconhecidas também fazem parte da história. 

terça-feira, 23 de abril de 2013

O novo colunista do 'New York Times'



O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou dia 23 de abril que fechou contrato para escrever uma coluna mensal à agência de notícias do jornal "The New York Times", uma das principais publicações dos Estados Unidos.

Lula reuniu-se com Michael Greenspon, diretor-geral do serviço de notícias do "New York Times". Eles fecharam o contrato para a coluna mensal do ex-presidente.

Lula deve começar a escrever sua coluna a partir de junho para a agência, que distribui conteúdo com o selo do "NYT". A coluna não será necessariamente publicada no jornal norte-americano.


A coluna não deve ser publicada em veículos de imprensa do Brasil por exigência do próprio Lula, segundo a assessoria de imprensa do ex-presidente. O texto será publicado em português no site do Instituto Lula.

A coluna tratará de política e economia internacional, e de iniciativas para o combate à fome e à miséria no mundo.



Comentário ( Emily Christini ): Até pouco tempo considerávamos o ex-presidente Lula uma pessoa totalmente inadequada para representar nosso pais pela sua forma de falar e se expressar, sempre usando a linguagem informal, mas aproximada da linguagem da população brasileira sem alfabetização. E agora nos deparamos com a notícia que o maior jornal, o mais respeitado, convida a mesma pessoa para se tornar um colunista mensal do NYT, deixando de lado grandes nomes do jornalismo brasileiro. 

Eterna Hebe Camargo




Hebe Camargo morreu sem saber o tamanho exato que tinha. Para ela, era 1,63 metro de altura e pronto, não se falava mais nisso. Talvez um pouco mais do que isso quando montava no salto ou inspirava-se para mudar o visual pedindo ao cabeleireiro que armasse a loirice.

Que não viessem com idolatrias porque Hebe Camargo simplesmente não entendia nada do assunto. Uma tarde, em Florianópolis, deixou isso claro. Hebe havia acabado de descer do avião ao lado do sobrinho e empresário Claudio Pessutti.


Olhou a multidão esperando aos gritos eufóricos na sala de desembarque e levou um susto. "Puxa Claudio, quem será que vai chegar aqui hoje?" Era sério. Hebe Camargo não sabia o tamanho que tinha.

Suas joias estarão em destaque, mas Claudio ressalva que todas serão réplicas. "Seria muito arriscado fazer com as originais." A curadoria dos vestidos de uma mulher que fez mais de 1.300 programas praticamente sem repetir peças será outra grande tarefa. A curadoria pensa em escolher apenas 40, que passarão por um serviço especial de lavagem e secagem que não custa menos de R$ 1 mil por unidade.



Comentário ( Emily Christini ): E deixou saudades, praticamente uma das pioneiras da tv brasileira, Hebe Camargo deixou grandes joias e seus belos vestidos para traz. Agora todos os "mimos" dela serão guardados com muito carinho e devem custar no minimo 1 mil reais por unidade para serem preservados.